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Este ensaio foi publicado originalmente como um mini-livro com o título "Economic Depressions: Their Cause and Cure" pela Constitutional Alliance de Lansing, Michigan, em 1969. Esta versão foi traduzida da disponível no livro The Austrian Theory of Trade Cycle and Other Essays, editado por Richard M. Ebeling.

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Vivemos num mundo de eufemismos. Coveiros se tornaram "agentes funerários", agentes de imprensa são agora "conselheiros de relações públicas" e os zeladores foram transformados em "superintendentes". Em todas as partes da vida, fatos simples foram envolvidos numa nebulosa camuflagem.

Isso não é menos verdade na economia. No passado, nós costumávamos sofrer crises econômicas quase que periódicas, o começo repentino das quais era chamado de "pânico" e o período após o pânico era chamado de "depressão".

A mais famosa depressão nos tempos modernos, é claro, foi aquela que começou num pânico financeiro típico em 1929 e durou até o advento da Segunda Guerra Mundial. Depois do desastre de 1929, os economistas e políticos resolveram que isso não poderia nunca mais acontecer. A forma mais fácil de ter sucesso nessa empreitada era simplesmente definir que as "depressões" não mais existiam. A partir daquele ponto, os Estados Unidos não sofreriam mais depressões. E quando a próxima aguda depressão surgiu, em 1937-38, os economistas simplesmente se recusaram a usar o nome terrível, e inventaram uma palavra nova, muito mais suave: "recessão". Daquele ponto em diante, nós atravessamos algumas recessões, mas nem uma única depressão.

Mas logo a palavra "recessão" também se tornou muito áspera para as sensibilidades do público americano. Parece agora que nós tivemos nossa última recessão em 1957-58. Desde então, nós só tivemos "declínios", ou, ainda melhor, "desacelerações", ou "movimentos laterais". Portanto, anime-se; de agora em diante, depressões e mesmo recessões foram proibidas pelo decreto semântico dos economistas; de agora em diante, o pior que nos pode acontecer são "desacelerações". Essas são as maravilhas da "Nova Economia".

Por 30 anos, os economistas de nosso países adotaram a visão dos ciclos econômicos defendida pelo economista inglês John Maynard Keynes, que criou a economia keynesiana, ou "Nova Economia", em seu livro, A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicado em 1936. Sob seus diagramas, cálculos e jargões rudimentares, a atitude dos keynesianos em relação aos booms e busts é a própria simplicidade, ou mesmo inocência. Se houver inflação, então a causa deve ser o "gasto excessivo" por parte do público; a suposta cura é o governo, o auto-apontado estabilizador e regulador da economia da nação, intervir e forçar as pessoas a gastar menos, "absorvendo seus poderes de compra excessivos" através de uma maior taxação. Se houver uma recessão, por outro lado, essa foi causada por gastos insuficientes privados, e a cura agora é o governo aumentar seus próprios gastos, de preferência através de déficits, somando, dessa forma, ao fluxo de gastos agregado da nação.

A idéia de que um aumento dos gastos governamentais ou de que o easy money é "bom para os negócios" e que os cortes de gastos ou que empréstimos mais difíceis [N.T.: "harder money"] é "mau" permeia até mesmo os mais conservadores jornais e revistas. Esses jornais também aceitam que é a tarefa sagrada do governo federal conduzir o sistema econômico pelo estreito caminho entre os abismos da depressão, de um lado, e da inflação, do outro, pois a economia de livre mercado deve sempre sucumbir a algum desses males.

Todas as presentes escolas de economistas têm a mesma atitude. Note-se, por exemplo, o ponto de vista do Dr. Paul W. McCracken, o novo presidente do Conselho de Assessores Econômicos do Presidente Nixon. Numa entrevista para o New York Times, logo depois de assumir o cargo [24 de janeiro de 1969], o Dr. McCracken afirmou que um dos maiores problemas econômicos com que a nova administração se depara é "como esfriar esta economia inflacionária sem, ao mesmo tempo, ocasionar níveis inaceitavelmente altos de desemprego. Em outras palavras, se a única coisa que nós queremos fazer é arrefecer a inflação, isso poderia ser feito. Mas nossas tolerâncias sociais ao desemprego são pequenas". E novamente: "Eu acho que nós temos que sentir o nosso caminho ao longo daqui. Nós não temos realmente muita experiência em tentar resfriar uma economia ordenadamente. Nós pisamos no freio em 1957, mas, é claro, nós conseguimos uma calmaria grande demais na economia."

Note a atitude fundamental do Dr. McCracken em relação à economia - notável somente pelo fato de que é dividida por todos os economistas atualmente. A economia é tratada como potencialmente gerenciável, mas como um paciente sempre problemático e recalcitrante, com uma tendência contínua de desencadear mais inflação ou desemprego. A função do governo é ser o velho administrador sábio e o médico, sempre atento, sempre trabalhando para manter o paciente econômico trabalhado em ordem. Em todo caso, aqui o paciente econômico claramente deve ser o objeto e o governo deve ser o "médico" mestre.

Há não muito tempo atrás, esse tipo de atitude e política era chamada de "socialismo"; mas nós vivemos num mundo de eufemismos, e nós agora nos referimos a isso com rótulos muito menos ásperos, tais como "moderação" ou "livre empreendimento esclarecido". Vivendo e aprendendo.

Quais, então, são as causas das depressões periódicas? Nós precisamos sempre permanecer agnósticos quanto às causas dos booms e busts? É realmente verdade que os ciclos econômicos estão profundamente enraizados na economia de livre mercado e que, portanto, alguma forma de planejamento governamental é necessária se desejamos manter a economia dentro de algum tipo de limite estável? Os booms e busts simplesmente acontecem ou uma fase do ciclo flui logicamente da outra?

A atitude moderna em relação aos ciclos econômicos advém, na verdade, de Karl Marx. Marx via que, antes da Revolução Industrial no final do século XVIII, não havia booms e depressões recorrentes. Haveria uma repentina crise quando quer que algum rei fizesse uma guerra ou confiscasse a propriedade de seus súditos; mas não havia sinais do peculiar fenômeno moderno das oscilações gerais e bastante regulares da economia, de expansões e contrações. Uma vez que esses ciclos surgiram mais ou menos ao mesmo tempo que a indústria moderna, Marx concluiu que os ciclos econômicos eram uma característica intrínseca da economia de mercado capitalista. Todas as várias escolas de pensamento econômico, a despeito de suas diferenças e das diferentes causas que atribuem aos ciclos, concordam neste ponto vital: que esses ciclos econômicos se originam em algum lugar da economia de livre mercado. Deve-se culpar a economia de mercado. Karl Marx acreditava que as depressões periódicas ficariam piores e piores, até que as massas se revoltassem e destruíssem o sistema, enquanto os economistas modernos acreditam que o governo pode estabilizar as depressões e os ciclos. Mas todos os partidos acreditam que a culpa está com a economia de mercado e, se algo pode nos salvar, deve ser algum tipo de massiva intervenção governamental.

Há, entretanto, alguns problemas críticos com a suposição de que a economia de mercado é a culpada. Pois a "teoria econômica geral" nos ensina que a oferta e a demanda sempre tendem a estar em equilíbrio no mercado e que, portanto, os preços dos produtos e dos fatores que contribuem para a produção estão sempre tendendo a um ponto de equilíbrio. Embora mudanças nos dados, que estão sempre acontecendo, evitem que o equilíbrio seja alcançado, não há nada na teoria geral do sistema de mercado que explique as fases recorrentes e regulares do boom e bust dos ciclos econômicos. Os economistas modernos "resolvem" esse problema simplesmente mantendo a teoria geral dos preços e do mercado e a teoria dos ciclos econômicos separadas, em compartimentos hermeticamente fechados que nunca se encontram e muito menos se integram. Os economistas, infelizmente, se esqueceram de que só existe uma economia e, logo, somente uma teoria econômica integrada. Nem a vida econômica nem a estrutura da teoria pode ou deve estar em compartimentos selados; nosso conhecimento da economia ou é completamente integrado ou não é nada. Contudo, a maior parte dos economistas está contente em aplicar teorias totalmente separadas e, de fato, mutuamente exclusivas para a análise geral dos preços e para os ciclos econômicos. Eles não podem ser cientistas econômicos enquanto estiverem contentes em operar dessa forma primitiva.

Porém, há problemas ainda mais graves com a abordagem moderna. Os economistas também não vêem um problema particularmente crítico porque eles não se importam em integrar suas teorias dos ciclos econômicos e dos preços gerais: o peculiar colapso da atividade empresarial em tempos de crise e depressão. Na economia de mercado, uma das mais vitais funções dos homens de negócio é a de ser um "empreendedor", um homem que investe em métodos produtivos, que compra equipamentos e contrata o trabalho para produzir algo que ele não tem certeza que vai trazer nenhum retorno para ele. Em suma, a função empreendedora é a função de projetar um futuro incerto. Antes de apostar em qualquer investimento ou linha de produção, o empreendedor, ou "empresário", precisa estimar os custos futuros e presentes e a receita futura e assim estimar se haverá lucros e de quanto serão com o investimento. Se ele projeta bem e significativamente melhor que seus concorrentes, ele vai lucrar com seu investimento. Quanto melhor sua capacidade de predição, maiores os lucros que ele vai conseguir. Se, por outro lado, ele prevê mal as condições do mercado e superestima a demanda por seu produto, ele vai sofrer prejuízos e logo será forçado a sair dos negócios.

A economia de mercado, então, é uma economia de lucro-e-perda, na qual a perspicácia e a habilidade dos empreendedores é medida por seus lucros e perdas. A economia de mercado, além do mais, contém um mecanismo embutido, um tipo de seleção natural, que assegura a sobrevivência e o desenvolvimento daquele que melhor prevê as condições do mercado e afasta os inferiores. Pois quanto mais lucros os que melhor prevêem conseguirem, maiores se tornam suas responsabilidades empresariais, e mais eles terão disponível para investir num sistema produtivo. Por outro lado, uns poucos anos tendo prejuízo afastará os que pior prevêem e os piores empresários dos negócios totalmente e os empurrará para a posição de empregados assalariados.

Se, então, a economia de mercado tem um mecanismo de seleção natural embutido para os bons empreendedores, isso significa que, geralmente, nós não poderíamos esperar que muitas firmas tivessem prejuízos. E, na verdade, se nós olharmos em volta na economia, num dia ou ano normal, nós perceberemos que prejuízos não são muito disseminados. Mas, nesse caso, o estranho fato que precisa de explicação é este: como pode ser que, periodicamente, em tempos de recessão e especialmente em profundas depressões, o mundo dos negócios repentinamente experimente perdas gerais e severas? Como é possível que chegue um momento em que quase todas as firmas de negócios, cujos empreendedores eram previamente altamente habilidosos em suas habilidades de lucrar e evitar perdas, se deparam inesperadamente com perdas severas e inexplicáveis? Como pode? Esse é um fato momentâneo que qualquer teoria de depressões precisa explicar. Uma explicação tal como a do "subconsumo" - uma queda no gasto total dos consumidores - não é suficiente, pois o que se precisa explicar é por que os homens de negócio, capazes de prever todas as mudanças e desenvolvimentos econômicos anteriores, se provaram total e catastroficamente incapazes de prever essa suposta queda na demanda dos consumidores. O que causa essa repentina falha na capacidade de projeção dos empreendedores?

Uma teoria adequada das depressões, então, precisa explicar a tendência da economia de se mover através de sucessivos booms e busts, não demonstrando nenhum sinal do estabelecimento de qualquer tipo de movimento suave, ou calmamente progressivo, de aproximação de um situação de equilíbrio. Em particular, uma teoria da depressão precisa explicar os enormes erros conjuntos que surgem rapidamente e repentinamente num momento de crise econômica e se estende através do período de depressão até a recuperação. E há um terceiro fato universal que uma teoria dos ciclos precisa explicar. Invariavelmente, os booms e busts são muito mais intensos e severos nas "indústrias de bens de capital" - as indústrias que produzem máquinas e equipamentos, as que produzem matérias-primas ou que constroem fábricas industriais - que nas indústrias de bens de consumo. Aqui há outro fato dos ciclos econômicos que precisa ser explicado - e que obviamente não pode ser explicado pelas teorias de depressão como a popular doutrina do subconsumo: o de que os consumidores não estão gastando o suficiente em bens de consumo. Porque se o gasto insuficiente é o responsável, então como é possível que o varejo seja o último a entrar em qualquer depressão, e que as depressões realmente atingem as indústrias de maquinário, de equipamentos de capital, de construção e de matérias-primas? Inversamente, são essas indústrias que mais se desenvolvem nas fases do boom inflacionário do ciclo econômico, e não aqueles negócios que servem diretamente ao consumidor. Uma teoria adequada do ciclo econômico, então, deve também explicar a intensidade maior dos booms e busts nas indústrias que não produzem bens de consumo, ou indústrias de "bens de produção".

Felizmente, uma correta teoria das depressões e dos ciclos econômicos existe, embora ela seja universalmente negligenciada na economia de hoje em dia. Ela, também, tem uma longa tradição no pensamento econômico. Essa teoria começou com o filósofo e economista escocês do século XVIII David Hume e com o eminente economista clássico inglês do começo do século XIX David Ricardo. Essencialmente, esses teóricos viram que outra instituição crucial se desenvolveu no meio do século XVIII juntamente com o sistema industrial. Essa era a instituição bancária, com sua capacidade de expandir o crédito e a oferta de dinheiro (primeiro na forma de papel-moeda, ou notas bancárias, e mais tarde na forma de depósitos de demanda, ou contas-correntes, que são resgatáveis instantaneamente em dinheiro nos bancos). Eram as operações desses bancos comerciais que, diziam esses economistas, forneciam a chave para os ciclos misteriosos e recorrentes de expansão e contração, de boom e bust, que intrigavam os observadores desde a metade do século XVIII.

A análise ricardiana dos ciclos econômicos era mais ou menos o seguinte: as moedas naturais emergindo no livre mercado mundial são mercadorias úteis, geralmente ouro e prata. Se a moeda fosse restrita simplesmente a essas mercadorias, então a economia funcionaria no agregado como funciona nos mercados particulares: um suave ajuste da oferta e da demanda e, assim, nenhum ciclo de boom e bust. Mas a injeção de crédito bancário adiciona outro elemento crucial e distorcivo. Pois os bancos expandem o crédito e portanto a moeda bancária na forma de notas ou depósitos que são teoricamente resgatáveis instantaneamente em ouro, mas na prática claramente não o são. Por exemplo, se um banco tem 1000 onças de ouro em seus cofres, e se emite recibos de depósito instantaneamente resgatáveis de 2500 onças de ouro, então ele claramente emitiu 1500 onças a mais do que ele pode possivelmente resgatar. Mas enquanto não há uma "corrida" em massa ao banco para embolsar esses recibos em dinheiro, a função desses recibos no mercado é equivalente à do ouro e, portanto, o banco foi capaz de expandir a oferta monetária do país em 1500 onças de ouro.

Os bancos, então, alegremente começam a expandir o crédito, pois quanto mais eles o expandirem, maiores serão seus lucros. Isso ocasiona uma expansão da oferta de moeda num país, digamos a Inglaterra. Enquanto a oferta de papel-moeda e de moeda bancária na Inglaterra aumenta, os rendimentos em dinheiro e os gastos dos ingleses aumentarão, e a maior quantidade de moeda eleva os preços dos bens ingleses. O resultado é a inflação e um boom dentro do país. Mas esse boom inflacionário, enquanto prossegue em seu alegre caminho, semeia seu próprio fim. Porque enquanto a oferta de moeda na Inglaterra e as rendas crescem, os ingleses prosseguem comprando mais bens estrangeiros. Além disso, enquanto os preços na Inglaterra sobem, os bens ingleses começam a perder competitividade em relação aos produtos dos países que não inflaram ou que inflaram em menor grau suas moedas. Os ingleses começam a comprar menos em casa e mais fora, ao passo que os estrangeiros compram menos produtos ingleses e mais produtos domésticos; o resultado é um déficit na balança inglesa de pagamentos, com as exportações dos ingleses caindo agudamente abaixo das importações. Mas se as importações excedem as exportações, isso significa que o dinheiro precisa sair da Inglaterra e ir para os outros países. E qual dinheiro será esse? Certamente não as notas bancárias ou de depósito, já que os franceses, alemães ou italianos têm pouco ou nenhum interesse em manter seus fundos trancados nos bancos ingleses. Esses estrangeiros, assim, pegarão suas notas bancárias e depósitos e as apresentarão aos bancos ingleses para resgate em ouro - e o ouro será o tipo de moeda que tenderá a sair do país enquanto a inflação inglesa continuar. Mas isso significa que a moeda de crédito bancário inglesa cada vez mais se acumulará sobre uma base de ouro cada vez menor nos cofres ingleses. Enquanto o boom prossegue, nosso banco hipotético expandirá seus recibos de depósito, digamos, de 2500 para 4000 mil onças, enquanto sua base de ouro diminuirá para, digamos, 800. Enquanto esse processo se intensifica, os bancos eventualmente se assustarão. Porque os bancos, afinal, são obrigados a resgatar suas notas em dinheiro, e seu dinheiro está escoando rapidamente enquanto suas obrigações se acumulam. Assim, os bancos eventualmente ficarão com medo, pararão a expansão do crédito e, para salvarem a si próprios, restringirão seus empréstimos. Freqüentemente esse recuo é precipitado por falências de outros bancos aos quais o público, que estava ficando cada vez mais apreensivo com a condição instável dos bancos nacionais, correu para resgatar suas reservas.

A contração bancária inverte o cenário econômico; a contração e o bust precisam se seguir ao boom. Os bancos exigem pagamentos e as empresas sofrem a pressão do pagamento dos débitos e da contração. A queda na oferta de moeda bancária, por seu lado, leva a uma queda geral dos preços ingleses. Enquanto a oferta de moeda e as rendas caem, e enquanto os preços ingleses desmoronam, os bens ingleses se tornam relativamente mais atrativos em relação aos produtos estrangeiros, e a balança de pagamentos se reverte, com as exportações excedendo as importações. Enquanto o ouro entra no país, com as notas bancárias agora estando sobre uma base de ouro em expansão, a condição dos bancos se torna mais sólida.

Esse, portanto, é o significado da fase da depressão do ciclo econômico. Note que ela é uma fase que inevitavelmente surge a partir de uma expansão creditícia anterior. É inflação precedente que faz a fase da depressão necessária. Podemos ver, por exemplo, que a depressão é o processo pelo qual a economia de mercado se ajusta, joga fora os excessos e distorções do boom inflacionário anterior, e restabelece uma condição econômica sólida. A depressão é uma reação desagradável, mas necessária, às distorções e excessos do boom anterior.

Por que, então, o próximo ciclo começa? Por que os ciclos econômicos tendem a ser recorrentes e contínuos? Porque quando os bancos se recuperam e estão numa condição saudável, eles ficam confiantes para prosseguir seus caminhos naturais de expansão de crédito, e o próximo boom prossegue seu caminho, plantando as sementes para para o próximo inevitável bust.

Mas se os bancos são a causa dos ciclos econômicos, não são os bancos também uma parte da economia de mercado privada, e nós não podemos portanto dizer que o livre mercado é ainda o culpado, mesmo que apenas o segmento bancário do livre mercado? A resposta é não, pois os bancos não seriam capazes de expandir o crédito concertadamente se não fosse pela intervenção e pelo encorajamento do governo. Pois se os bancos fossem realmente competitivos, qualquer expansão do crédito por um banco rapidamente faria acumular os débitos daquele banco nos seus competidores, e seus competidores rapidamente recorreriam ao banco que expandiu o crédito para resgate em dinheiro. Em suma, os rivais de um banco recorrerão a ele para o resgate em ouro ou em dinheiro da mesma forma que os estrangeiros, a não ser pelo fato de que o processo é muito mais rápido e restringiria qualquer inflação antes que começasse. Os bancos só podem expandir confortavelmente em uníssono quando um banco central existe, essencialmente um banco governamental que tem o monopólio dos negócios do governo e uma posição privilegiada imposta pelo governo sobre a totalidade do sistema bancário. Foi somente quando o banco central se estabeleceu que os bancos se tornaram capazes de expandir o crédito por um período de tempo e o familiar ciclo econômico se tornou parte do mundo moderno.

O banco central adquire seu controle sobre o sistema bancário por medidas governamentais como: tornar o recebimento de pagamentos com suas notas obrigatório para todos os débitos e recebíveis como pagamento de impostos; concedendo ao banco central o monopólio da emissão de notas, em contraste com depósitos (na Inglaterra, o Banco da Inglaterra, o banco central estabelecido pelo governo, tinha o monopólio legal de emissão das notas bancárias na área de Londres); ou através da obrigatoriedade para os bancos do uso do banco central como cliente para o depósito de suas reservas em dinheiro (como no Federal Reserve System dos Estados Unidos). Não que os bancos reclamem dessa intervenção; porque é o estabelecimento do banco central que torna a expansão do crédito a longo prazo possível, uma vez que a expansão das notas do Banco Central provê reservas de caixa adicionais para todo o sistema bancário e permite que todos os bancos comerciais expandam o crédito juntos. O banco central funciona como um confortável cartel bancário compulsório para expandir as notas dos bancos; e os bancos são agora capazes de expandir sobre uma base maior de dinheiro na forma de notas do banco central e ouro.

Então, nós vemos agora, finalmente, que os ciclos econômicos são causados não por misteriosas falhas da economia de livre mercado, mas pelo contrário: por uma sistemática intervenção do governo no processo de mercado. A intervenção governamental causa expansão bancária e inflação e, quando a inflação chega ao fim, há subseqüente depressão e um ajuste.

A teoria ricardiana dos ciclos econômicos percebeu o essencial de uma teoria correta dos ciclos: a natureza recorrente das fases do ciclo, a depressão como um ajuste à intervenção no mercado em vez de inerente à economia de livre mercado. Mas dois problemas não foram explicados: por que os repentinos erros empresariais em massa, a repentina falha dos empreendedores, e por que a as flutuações tão maiores nas indústrias de bens de produção do que nas de bens de consumo? A teoria ricardiana explicou somente os movimentos dos níveis de preço dos empreendimentos em geral; não houve explicação das reações diferentes nas indústrias de capital e de bens de consumo.

A correta e totalmente desenvolvida teoria dos ciclos foi finalmente descoberta e demonstrada pelo economista austríaco Ludwig von Mises quando ele era professor da Universidade de Vienna. Mises sugeriu a solução para o problema vital do ciclo econômico em seu monumental The Theory of Money and Credit, publicado em 1912 e ainda, quase 60 anos depois, o melhor livro sobre a teoria da moeda e do sistema bancário. Mises desenvolveu sua teoria dos ciclos durante os anos 1920 e ela foi trazida ao mundo de língua inglesa pelo maior seguidor de Mises, Friedrich A. von Hayek, que foi de Viena lecionar na London School of Economics no começo dos anos 1930 e que publicou, em alemão e em inglês, dois livros que aplicavam e elaboravam a teoria dos ciclos de Mises: Monetary Theory and the Trade Cycle e Prices and Production. Já que Mises e Hayek eram austríacos, e também porque eram da tradição dos grandes economistas austríacos do século XIX, essa teoria ficou conhecida na literatura como a teoria "austríaca" (ou "do sobreinvestimento monetário") dos ciclos econômicos.

Trabalhando sobre os ricardianos, sobre a teoria geral "austríaca" e sobre seu próprio gênio criativo, Mises desenvolveu a seguinte teoria dos ciclos econômicos:

Sem a expansão do crédito bancário, a oferta e a demanda tendem a se equilibrar através do livre sistema de preços e nenhum boom ou bust cumulativo pode se desenvolver. Mas então o governo, através de seu banco central, estimula a expansão de crédito bancário ao expandir as notas do banco central e, portanto, as reservas em dinheiro dos bancos comerciais de todo o país. Os bancos então prosseguem a expansão do crédito e assim a oferta de moeda do país na forma de depósitos resgatáveis. Como os ricardianos viam, essa expansão da moeda bancária eleva os preços dos bens e assim causa inflação. Mas, Mises demonstrou, ela faz ainda outra coisa, e algo ainda mais sinistro. A expansão de crédito, que despeja novos fundos de empréstimos no mundo empresarial, artificialmente abaixa a taxa de juros da economia abaixo de seu nível do livre mercado.

No mercado livre, a taxa de juros é determinada puramente pelas "preferências temporais" de todos os indivíduos que formam a economia de mercado. Pois a essência de um empréstimo é a de que um "bem presente" (o dinheiro que pode ser usado no presente) está sendo trocado por um "bem futuro" (um débito que só pode ser usado em algum ponto do futuro). Uma vez que as pessoas sempre preferem dinheiro agora ao prospecto de ter a mesma quantidade de dinheiro em algum ponto do futuro, o bem presente sempre tem um preço no mercado em relação ao bem futuro. Esse preço é a taxa de juros, e seu nível vai variar de acordo com grau que as pessoas preferem o presente ao futuro, i.e., de acordo com o grau de suas preferências temporais.

As preferências temporais das pessoas também determinam a dimensão à qual as pessoas pouparão e investirão, em comparação ao quanto elas vão consumir. Se as preferências temporais das pessoas devessem cair, i.e., se seus graus de preferência do presente em vez do futuro caem, então as pessoas tenderão a consumir menos agora e poupar e investir mais depois; ao mesmo tempo, e pela mesma razão, a taxa de juros, a taxa de desconto do tempo, também cairá. O crescimento econômico ocorre em grande parte como resultado das taxas de preferência temporal descendentes, que levam a um aumento na proporção da poupança e do investimento em relação ao consumo, e também a uma queda dos juros.

Mas o que acontece quando a taxa de juros cai, não por causa das preferências temporais mais baixas e pela poupança, mas pela interferência governamental que promove a expansão do crédito bancário? Em outras palavras, se a taxa de juros cai artificialmente graças à intervenção em vez de naturalmente, como resultado de mudanças nas valorações e preferências do público consumidor?

Acontecem problemas. Porque o empresário, vendo a taxa de juros cair, reage como sempre reagiria e deve reagir a uma mudança nos sinais do mercado: ele investe mais em capital e em bens de produção. Os investimentos, particularmente em projetos prolongados e que consomem tempo, que previamente não pareciam lucrativos, agora parecem lucrativos, por causa da queda do preço do juro. Em suma, os homens de negócio reagem como eles reagiriam se as poupanças tivessem genuinamente aumentado: eles expandem seus investimentos em equipamentos duráveis, em bens de capital, em matérias-primas industriais e em construção em comparação à produção direta de bens de consumo.

As empresas, em resumo, pegam empréstimos de moeda bancária expandida que está chegando a eles a uma taxa mais baixa; eles usam a moeda para investir em bens de capital, e eventualmente essa moeda é usada para pagar maiores aluguéis da terra e maiores salários aos trabalhadores nas indústrias de bens de capital. O aumento da demanda das empresas eleva os custos do trabalho, mas as empresas pensam que elas podem pagar esses custos mais altos porque elas foram enganadas pela intervenção do governo e dos bancos no mercado de empréstimos e pela decisiva alteração nos sinais da taxa de juros do mercado.

O problema surge tão logo que os trabalhadores e proprietários de terras - a maior parte pelos primeiros, já que a maior parte da renda bruta das empresas é gasta em salários - começam a gastar a nova moeda bancária que receberam na forma de salários mais altos. Pois a preferência temporal do público não baixou realmente; o público não quer poupar mais do que já está poupando. Então os trabalhadores começam a consumir a maior parte de seus novos rendimentos, para restabelecer as antigas proporções de consumo-poupança. Isso significa que eles redirecionam os gastos para as indústrias de bens de consumo, e eles não poupam e investem o suficiente para comprar as novas máquinas produzidas, os equipamentos de capital, as matérias-primas industriais, etc. Isso tudo se revela como uma repentina aguda e contínua depressão das indústrias de bens de produção. Uma vez que os consumidores restabeleceram suas proporções de consumo investimento, é revelado que as empresas investiram demais em bens de capital e subinvestiram em bens de consumo. As empresas foram seduzidas pela alteração governamental da taxa de juros a níveis mais baixos e agiu como se mais poupança estivesse disponível do que realmente estava. Tão logo que a nova moeda bancária seja filtrada através do sistema e os consumidores restabeleçam suas antigas proporções, ficou claro que não havia poupança suficiente para comprar todos os bens de produção, e que as empresas investiram incorretamente a poupança limitada disponível. As empresas sobreinvestiram em bens de capital e subinvestiu em bens de consumo.

O boom inflacionário assim leva a distorções no sistema de preços e produção. Os preços do trabalho e das matérias primas nas indústrias de bens de capital se elevaram durante o boom alto demais para serem lucrativos quando os consumidores reajustam suas antigas preferências de consumo/investimento. A "depressão" então é vista como a fase necessária e saudável pela qual a economia de mercado se desenterra e liquida os investimentos instáveis, deseconômicos, do boom, e restabelece aquelas proporções entre consumo e investimento que são realmente desejadas pelos consumidores. A depressão é o processo doloroso mas necessário pelo qual o livre mercado se livra dos excessos e erros do boom e restabelece a economia de mercado em sua função de provimento de serviços eficientes à massa de consumidores. Uma vez que os preços dos fatores de produção foram elevados alto demais durante o boom, isso significa que os preços do trabalho e dos bens dessas indústrias de bens de capital precisam poder cair até que as relações de mercado apropriadas possam prosseguir.

Já que os trabalhadores recebem a moeda expandida na forma de maiores salários rapidamente, como é que o boom pode prosseguir por anos sem ter seus investimentos injustificados revelados, seus erros graças à alteração dos sinais de mercado tornados evidentes e o processo de ajuste começado? A resposta é que os booms seriam bastante efêmeros se a expansão do crédito bancário e o subseqüente empurrão da taxa de juros abaixo do nível do mercado fosse uma ação única. Mas o ponto é que a expansão do crédito não é uma ação única; ele prossegue e prossegue, nunca dando a chance para os consumidores restabelecerem suas proporções preferidas de consumo e poupança, nunca deixando o aumento dos custos das indústrias de bens de capital alcançar o aumento inflacionário dos preços. Como o doping de um cavalo, o boom é mantido em seu caminho e além de seu inevitável desfecho, por repetidas doses do estimulante do crédito bancário. Somente quando a expansão do crédito bancário parar, ou porque os bancos estão chegando a uma condição instável ou porque o público começou a contrariar a contínua inflação, surgirão os resultados do boom. Logo que a expansão do crédito parar, o fornecedor precisará ser pago, e os inevitáveis reajustes liquidarão os subreinvestimentos insalubres do boom, com o restabelecimento da maior proporção da produção de bens de consumo.

Assim, a teoria misesiana dos ciclos econômicos explica todos os nossos problemas: a repetida e recorrente natureza dos ciclos, o grande conjunto de erros empresariais, a intensidade muito maior do boom e do bust nas indústrias de bens de consumo.

Mises, então, aponta como culpada pelo ciclo a inflacionária expansão de crédito bancário impulsionada pela intervenção do governo e de seu banco central. O que Mises diz que deve ser feito, digamos pelo governo, uma vez que chegue a depressão? Qual é o papel do governo na cura da depressão? Em primeiro lugar, o governo precisa parar a inflação o quanto antes. É verdade que isso trará, inevitavelmente, o boom inflacionário abruptamente a um final e começar a inevitável recessão ou depressão. Mas quanto mais o governo esperar por isso, piores serão os reajustes necessários. Quanto mais cedo o reajuste da depressão for feito, melhor. Isso significa, também, que o governo não pode nunca tentar escorar situações não-salutares das empresas; ele nunca deve financiar ou emprestar dinheiro para firmas com problemas. Fazer isso simplesmente prolongará a agonia e converter uma aguda e rápida depressão numa longa e crônica doença. O governo não pode nunca tentar elevar os salários ou preços dos bens de produção; fazer isso prolongará e atrasará indefinidamente o final do processo de ajuste; causará indefinida e prolongada depressão e desemprego em massa nas indústrias de bens de capital vitais. O governo não deve tentar inflar a moeda novamente para sair da depressão. Pois mesmo se essa reinflação suceder, ela vai apenas causar maiores problemas mais tarde. O governo não pode fazer nada para encorajar o consumo e não pode aumentar seus próprios gastos, pois isso aumentará a proporção social entre consumo e investimento. Na verdade, cortar os gastos do governo melhorará a proporção. O que a economia precisa não é mais gastos de consumo, mas mais poupança, para validar alguns dos excessivos investimentos do boom.

Assim, o que o governo deveria fazer, de acordo com a análise misesiana, é absolutamente nada. Ele deveria, do ponto de vista da saúde econômica e tendo em vista o fim da depressão o mais rápido possível, manter uma política de estrita omissão, "laissez faire". O que quer que ele faça vai atrasar e obstruir o processo de ajuste do mercado; quanto menos fizer, mais rapidamente o processo de ajuste do mercado fará seu trabalho, e uma sólida recuperação econômica começará.

A prescrição misesiana é portanto o exato oposto da keynesiana: o governo deve manter as mãos absolutamente fora da economia e se restringir a conter sua própria inflação e cortar seu próprio orçamento.

Hoje em dia foi completamente esquecido, mesmo entre economistas, que a explicação e análise misesiana da depressão ganhou grande proeminência precisamente durante a Grande Depressão dos anos 1930 - precisamente a depressão que é sempre sustentada contra os defensores da economia de livre mercado como a maior, única e catastrófica falha do capitalismo laissez-faire. Não foi isso. 1929 foi inevitável por conta da vasta expansão de crédito através do mundo ocidental durante os anos 20: uma política deliberadamente adotada pelos governos ocidentais, e mais notavelmente pelo Federal Reserve System nos Estados Unidos. Foi tornado possível pela falha do mundo ocidental em retornar para um genuíno padrão-ouro depois da Primeira Guerra Mundial, e assim abrindo mais espaço para políticas inflacionárias do governo. Todos hoje em dia pensam que o Presidente Coolidge acreditava no laissez-faire e numa economia de livre mercado; ele não acreditava, e, tragicamente, em nenhum outro lugar menos que no campo da moeda e do crédito. Infelizmente, os pecados e erros da intervenção de Coolidge foram atribuídos a uma não-existente economia de livre mercado.

Se Coolidge tornou 1929 inevitável, foi o Presidente Hoover que prolongou e aprofundou a depressão, transformando-a de uma depressão aguda mas efêmera numa prolongada e quase-fatal doença, uma doença "curada" somente pelo holocausto da Segunda Guerra Mundial. Hoover, não Franklin Roosevelt, foi o fundador da política do "New Deal": essencialmente o uso massivo do Estado para fazer exatamente o que a teoria misesiana nos alerta para evitar - elevar os preços acima de seus níveis de mercado, inflar o crédito e emprestar dinheiro a empresas em más condições. Roosevelt somente avançou, a um maior grau, o que Hoover começou. O resultado pela primeira vez na história americana foi uma quase perpétua depressão e um quase permanente desemprego em massa. A crise de Coolidge havia se tornado a prolongada depressão sem precedentes de Hoover-Roosevelt.

Ludwig von Mises havia previsto a depressão durante o apogeu do grande boom de 1920 - um tempo, assim como hoje, quando os economistas e políticos, armados com uma "nova economia" de inflação perpétua e com novas "ferramentas" providas pelo Federal Reserve System, proclamavam uma "Nova Era" perpétua de permanente prosperidade garantida por nossos sábios médicos econômicos em Washington. Ludwig von Mises, sozinho, armado com uma correta teoria dos ciclos econômicos, foi um dos poucos economistas a prever a Grande Depressão e portanto o mundo econômico foi forçado a ouvi-lo. F. A. Hayek disseminou os ensinamentos na Inglaterra e os jovens economistas ingleses estavam todos, no começo dos anos 1930, começando a adotar a teoria dos ciclos misesiana para suas análises da depressão - e também começavam a adotar, é claro, a prescrição de uma política estritamente de livre mercado que advinha dessa teoria. Infelizmente, os economistas de hoje em dia adotaram a noção histórica de Lord Keynes: que nenhum "economista clássico" tinha uma teoria dos ciclos econômicos até que Keynes surgiu em 1936. Havia uma teoria da depressão; era a tradição econômica clássica; sua prescrição era um estrito hard money {N.T.: isto é, dinheiro metálico, ouro ou prata] e laissez-faire; e ela foi rapidamente adotada, na Inglaterra e mesmo nos Estados Unidos, como a teoria aceita dos ciclos econômicos. (Uma ironia particular é que o maior proponente "austríaco" nos Estados Unidos no começo e na metade dos anos 1930 não era ninguém menos que o Professor Alvin Hansen, que logo faria fama como um dos maiores discípulos de Keynes neste país.)

O que impediu a maior aceitação da teoria dos ciclos misesiana foi simplesmente a "Revolução Keynesiana" - a incrível varredura que a teoria keynesiana fez no mundo econômico logo depois da publicação da Teoria Geral em 1936. Não é que a teoria misesiana tenha sido refutada; ela foi simplesmente esquecida na corrida para se adotar a nova moda keynesiana. Alguns dos maiores adeptos das teorias de Mises - que claramente tinham maior conhecimento - sucumbiram aos ventos da nova doutrina estabelecida, e ganharam postos de liderança em universidades americanas como conseqüência.

Mas agora até mesmo a uma vez arquikeynesiana Economist recentemente proclamou que "Keynes está morto". Depois de mais de uma década de críticas incisivas e refutação por teimosos fatos econômicos, os keynesianos estão agora em recuo geral e massivo. Novamente, a oferta de moeda e o crédito bancário estão sendo reconhecidos rancorosamente como tendo um papel decisivo no ciclo econômico. O tempo é propício para uma redescoberta, para um renascimento, da teoria de Mises dos ciclos econômicos. Ela pode não chegar em breve; se ela algum dia chegar, o próprio conceito de um Conselho de Assessores Econômicos será varrido e nós veríamos uma grande retirada do governo da esfera econômica. Mas para que tudo isso aconteça, o mundo da economia e o público em geral precisam ser alertados da existência de uma explicação dos ciclos econômicos que tem sido negligenciada na prateleira por muitos trágicos anos.
Murray N. Rothbard (1926-1996) foi um dos maiores economistas da Escola Austríaca e o fundador do moderno anarco-capitalismo. Em seus mais de 25 livros, defendeu uma síntese entre a economia da Escola Austríaca, o direito natural, o anarquismo individualista americano e o isolacionismo da Velha Direita dos Estados Unidos.
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