libertyzine
Este blog já existe faz bastante tempo e tem passado longos períodos estacionado no mesmo lugar. Pensei que seria bom, ao menos, dar uma satisfação para quem encontrou o blog faz pouco tempo e falar sobre algumas coisas que acho interessantes para o tema do Libertyzine e para os visitantes daqui. Não vou truncar este post na página inicial; ele fica como uma mensagem para os novos visitantes também.

Em primeiro lugar, vou dizer por que as traduções e os textos têm rareado tanto por aqui. Não que algum leitor tenha me cobrado qualquer coisa, porque isso não aconteceu, mas porque eu acho que este blog é bom e não deve ficar abandonado num canto da internet, esquecido. O que ocorre, e eu imagino que todos saibam, é que fazer traduções dá trabalho. E, pelo que eu constatei após abrir este blog, elas dão mais trabalho à medida que se aprimora. Se vocês abrirem os primeiros textos publicados aqui, vão perceber que a tradução, em alguns momentos, é péssima. Também vão perceber que elas eram publicadas em curtos espaços de tempo. Isso era natural; mas quando eu relia os textos publicados, ficava claro que a tradução dos textos era muito fraca e freqüentemente dificultava a compreensão deles.

Com o passar do tempo eu fui melhorando nas traduções, e as últimas chegam até a ser apresentáveis. Mas por eu ter me tornado mais exigente com o nível dos textos, as traduções também foram se tornando inviáveis para eu fazer. Elas começaram a tomar em vez de dias, semanas, e eu fui tendo em vez de semanas, dias livres. Traduções melhores e menos tempo não se encaixam muito bem, e o Libertyzine diversas vezes, às vezes contra a minha vontade, foi a última das minhas prioridades.

Mesmo quando eu tentei dar um gás no site de outras maneiras, como por exemplo publicando o livro já traduzido do Elite do Poder, eu via que até o esforço menor ainda era esforço demais. E isso porque eu pretendia digitar o livro, que, como disse o Rafael, foi o caminho mais difícil para tornar o livro disponível. Apesar disso, não acho que tenha sido o pior. Afinal, eu não queria torná-lo disponível apenas; queria que o livro fosse buscável e selecionável, coisa que é um tanto complicada de se fazer com scans das páginas. Aliás, mais tarde eu comecei a usar um reconhecedor de caracteres para colocar o livro aqui - cujos problemas eram: eu ainda tinha que revisar os caracteres, pois algumas palavras vinham com erros, e tinha que revisar a gramática arcaica utilizada no livro. De qualquer forma, o livro está disponível online, cortesia do próprio Rafael, e há alguns capítulos aqui, para quem achar que selecionar textos é legal e que PDFs são uncool.

E já que eu mencionei o Rafael, vou falar também do que eu acredito ter sido o maior sucesso do Libertyzine: estimular mais traduções de textos liberais para o português. Não vou dizer que fui original altamente original; a idéia de colocar a mão na massa diretamente e traduzir textos nem foi minha, mas foi roubada do Bernardo Emerick. Antes de lê-lo no orkut dizendo que estava traduzindo o Man, Economy, and State de Murray Rothbard, eu ainda operava no mindset de que "alguém tem que traduzir esses textos e livros, alguém". Quando o vi dizer que estava traduzindo o livro (tradução que se perdeu, aparentemente, antes que alguém me pergunte), eu pensei "É, por que eu não estou fazendo isso?".

De qualquer maneira, eu decidi colocar os textos num blog. E antes do Libertyzine, não acredito que existissem muitos dedicados a tornar disponíveis textos sobre o liberalismo em português. Depois do Libertyzine, surgiram vários. Não tenho dúvida de que o blog teve alguma influência nesse boom de textos disponíveis por aí, senão direta, ao menos indiretamente. Claro que o próprio Libertyzine foi um resultado do crescimento do liberalismo no Brasil, caso contrário o blog nem teria leitores. Porém, no todo, fazendo um balanço, acho que a contribuição do Libertyzine foi bem maior do que modéstia dos meios disponíveis a um blog hospedado no Blogspot e a um blogueiro que só queria divulgar os textos estranhos de que gostava. E nem são tantos textos disponíveis por aqui, mas ver gente falando no orkut sobre agorismo em português é algo que ainda me deixa pasmo.

Anyway, eu só queria agradecer ao suporte das pessoas ao que eu fiz aqui, e dizer também que este texto não é uma despedida. São apenas algumas coisas em que eu pensei, mas que não me sentia à vontade antes para dizer neste blog. O Libertyzine não vai acabar. Certamente nunca vou ter a disposição (psicológica ou de tempo) para postar tanto quanto no começo. Mas eu certamente vou aparecer de vez em quando.

E.V.
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