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Em minha tentativa de discernir a forma da elite do poder de nossa época, e com isso dar um sentido responsável ao "eles" anônimo que a massa da população contrapõe ao "nós" anônimo, começarei examinando ràpidamente os elementos superiores que a maioria das pessoas conhece bem: as novas e velhas classes superiores da sociedade local, e os 400 metropolitanos.1 Esboçarei, em seguida, o mundo das celebridades, tentando mostrar como o sistema de prestígio da sociedade americana tornou-se agora, pela primeira vez, de âmbito realmente nacional, e como os aspectos mais triviais e mais atrativos desse sistema nacional de posição social tende imediatamente a distrair a atenção de suas características mais autoritárias e justificar o poder que muitas vezes oculta.

Examinando os muito ricos e os principais executivos, indicarei como nem as "60 Famílias Americanas" nem a "Revolução dos Gerentes" proporcionam uma idéia adequada da transformação das classes superiores, tal como hoje se organizam na camada privilegiada dos ricos associados.

Depois de descrever o estadista americano como um tipo histórico, procurarei mostrar que o "governo invisível" dos observadores da Era do Progresso tornou-se bem visível, e o que se considera como o conteúdo central da política — as pressões, campanhas e as manobras no Congresso — passou, em grande parte, aos níveis médios do poder.

Ao discutir a ascendência militar, tentarei deixar claro como seus almirantes e generais assumiram posições de relevância política e econômica decisiva, e com isso encontraram muitos pontos de interesses coincidentes com os ricos associados e com o diretório político do governo visível.

Depois que essas e outras tendências se tornarem o mais visível que me fôr possível fazê-las, voltarei aos principais problemas da elite do poder, bem como à noção complementar de sociedade de massas.

O que estou afirmando é que nesta época particular, uma conjunção de circunstâncias históricas levou ao aparecimento de uma elite de poder; que os homens dos círculos que compõem essa elite, isolada e coletivamente, tomam atualmente as decisões chaves, e que devido à ampliação e centralização dos meios de poder existentes, as decisões que tomam ou deixam de tomar têm maiores conseqüências para um número de pessoas maior do que em qualquer outra época da história mundial da humanidade.

Estou afirmando também que se desenvolveu nos níveis médios de poder um impasse semi-organizado e que no nível mais baixo nasceu uma sociedade de massas que tem pouca semelhança com a imagem de uma sociedade na qual as associações voluntárias e os públicos clássicos conservam as chaves do poder. A cúpula do sistema americano de poder é muito mais unificada e mais poderosa, o fundo é mais fragmentado, e na verdade mais impotente do que geralmente supõem aqueles cuja atenção é distraída pelas unidades de poder médias, que não expressam a vontade existente nos níveis inferiores nem determinam as decisões da cúpula.



Notas:

1 Para o sentido dessa expressão, ver mais adiante capítulo III (N. do T.)
C. Wright Mills (1916-1962) foi um sociólogo americano. Em seus vários trabalhos, analisou a dinâmica das classes sociais e da burocracia, além do relacionamento entre a teoria e a história na análise sociológica.
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