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Este texto traduz um dos antigos panfletos do Movement of the Libertarian Left americano, escritos por Samuel Edward Konkin III. Ele foi levemente atualizado por Wally Conger, e esta versão em português será mais tarde hospedada no site agorism.info.

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O Básico

A história é um registro dos eventos passados por um observador necessariamente subjetivo. A interpretação está inextricavelmente ligada ao registro e à descrição dos eventos, mesmo que somente pela seleção de quais eventos finitos enfatizar ao registrá-los e quais infinitos outros negligenciar.

A visão de mundo do historiador afeta a história apresentada ao estudante ou ao leitor interessado. Onde se percebe significado nas relações humanas é onde se procurará por eventos dignos de registro histórico. Uma História Objetiva é um mito, reconhecido como tal há muito tempo, e hoje em dia descartado por quase todos.

Dessa forma, há escolas de história. Muitas das diferenças dessas escolas são menores em termos fundamentalmente ideológicos, mas algumas diferenças são de fato profundas, o que cria escolas de historiografia (a escrita da história). Uma escola, associada a Charles Beard, enfatizava as razões econômicas subjacentes às decisões políticas; outra escola bastante conhecida é baseada na visão de mundo de Karl Marx e interpreta a história como grandes ciclos de lutas de classes economicamente determinados. Outra, hoje em dia fora de moda, via a história como a ascendência e a queda de impérios em ciclos justapostos, e estava mais associada a Oswald Spengler.

Revisionismo

A Primeira Guerra Mundial teve profundos efeitos sobre muitas ideologias e muitos intelectuais que as sustentavam. Muitos libertários se revoltaram contra a propaganda e a censura e desafiaram as versões oficiais dos estados vitoriosos quanto às causas e ao modo de condução da guerra. O consenso foi severamente quebrado, pois desta vez não se tratava dos perdedores desejando perturbar o establishment acadêmico dos vencedores, mas de um grupo de historiadores relativamente respeitáveis, dos vencedores (além, evidentemente, de países derrotados também), que tentava revisar os registros históricos.

Esses eram os Revisionistas. Seus oponentes eram os defensores da visão do Establishment, desdenhosamente rotulados (de volta) como Historiadores da Corte.

Inspirados por revelações dos historiadores revisionistas a respeito das origens e da condução da Primeira Guerra Mundial, uma metodologia totalmente nova de obtenção, pesquisa e reinterpretação de registros históricos a partir de evidências primárias de eventos críticos — isto é, uma Historiografia Revisionista — se desenvolveu. Logo as histórias oficiais de todas as guerras da história, e de outros eventos tais como depressões econômicas, revoluções, formações coloniais e administrativas, e mesmo a visão prevalente a respeito das maneiras e costumes das "culturas menores" passaram a ser revisadas.

A Segunda Guerra Mundial pôde contar com um número menor de Revisionistas, uma vez que mais historiadores foram cooptados pelo Establishment, mas algumas poucas almas corajosas compreenderam as repressões de durante a guerra e as pressões acadêmicas, sociais e econômicas do pós-guerra, de maneira que foram capazes de desafiar a visão dos Aliados de que houve incessante provocação e agressão do Eixo aos inocentes Aliados.

A Guerra Fria empurrou os historiadores marxistas (de fora dos estados marxistas) de volta ao campo Revisionista, e outros seguiram o mesmo caminho com a Guerra da Coréia e com a Guerra do Vietnã, num tempo no qual o Revisionismo Ocidental atingiu novos picos de popularidade.

Atualmente, "Revisionistas instantâneos" desafiam todos os movimentos dos Estados Unidos e seu Império na América Central, no Oriente Médio e em outros lugares.

O Revisionismo Libertário

Uma escola historiográfica, iniciada por James J. Martin durante a Segunda Guerra Mundial, permaneceu consistentemente Revisionista. Martin foi muito influenciado filosoficamente por Max Stirner e historicamente pelos Revisionistas da Primeira Guerra Mundial, tais como Charles Beard e Harry Elmer Barnes. Outros se seguiram, como o principal economista libertário, Murray Rothbard, e com o crescimento explosivo do movimento libertário nos anos 1970, uma escola histórica libertária surgiu — quase completamente revisionista. Nomes como Justus Doenecke, Arthur Ekirch, Leonard Liggio, Roy Childs, Ralph Raico, Wendy McElroy, George H. Smith, Jeffrey Rogers Hummel, Thomas DiLorenzo e Thomas Woods tornaram-se bastante conhecidos, ao menos para os libertários.

Os Revisionistas Libertários se opõem à visão dos Historiadores da Corte em quase todas as questões. Onde os marxistas rejeitam a "história capitalista" mas defendem a Corte de Moscou ou a Corte de Pequim, e onde os historiadores liberais se opõem às interpretações conservadoras, e os neo-fascistas se focam somente na reabilitação do derrotado Eixo Europeu, os Revisionistas Libertários desafiam as visões dos historiadores de todos os establishments e freqüentemente adotam interpretações revisionistas historiográficas decididamente não-Libertárias — porém Revisionistas.

Uma razão óbvia para isso é que os Libertários não têm um Estado estabelecido para o qual se tornar Historiadores da Corte. Mas há outra razão mais profunda para isso: libertários puros, que se opõem a todos os possíveis estados — isto é, ao (conceito do) Estado — devem necessariamente ser Revisionistas enquanto houver um Estado que mantenha um Establishment que controle as atividades acadêmicas e, assim, crie uma historiografia "oficial" da Corte.

Consideravelmente mais pode ser dito a respeito dessa perspectiva radicalmente libertária aplicada à história e ainda mais a respeito das aplicações a eventos históricos já feitas. Muito trabalho na História Revisionista é feito hoje em dia pelo Ludwig von Mises Institute (Mises.org), que publica livros e jornais sobre história econômica e política e oferece seminários regularmente sobre questões históricas. Da mesma forma, muitos websites e blogs libertários contêm "revisionismos instantâneos" sobre as questões atuais.

Na próxima página desta brochura você encontrará uma lista para se iniciar no estudo da História Revisionista.

Leituras Recomendadas na História Revisionista

Raízes da América

Conceived in Liberty (4 volumes)
Murray N. Rothbard

Economic Interpretation of the Constitution
Charles A. Beard

Guerra Civil Americana

The Real Lincoln
Thomas J. DiLorenzo

Primeira Guerra Mundial

Wilson's War
Jim Powell

Segunda Guerra Mundial

Blasting the Historical Blackout
Harry Elmer Barnes

Revisionist Viewpoints
James J. Martin

President Roosevelt and the Coming of War
Charles A. Beard

Revisionismo Histórico Econômico

America's Great Depression
History of Economic Thought (2 volumes)
Murray N. Rothbard

In Restraint of Trade
Butler Shaffer

FDR's Folly
Jim Powell

Elite de Poder/Classe Dominante/Conspiração

The Power Elite
C. Wright Mills

Who Rules America Now?
The Higher Circles
Bohemian Grove
G. William Domhoff

The Yankee & Cowboy War
Carl Oglesby

Guerra, Império, a Presidência Imperial

Crisis and Leviathan
Robert Higgs

The Costs of War
Reassessing the Presidency
John V. Denson (editor)

A História da Liberdade

History: The Struggle for Liberty (palestras em CD)
Ralph Raico
Samuel Edward Konkin III (1947-2004) foi o criador do agorismo, uma variante do anarquismo de mercado, defendeu o revisionismo histórico e era explicitamente contra o voto. Editou a revista New Libertarian de 1978 a 1990.
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