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Esta é a tradução do capítulo 19 do livro Man vs. the Welfare State, publicado em 1969.

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A epidemia de inflação não é somente americana, mas mundial. E na maioria dos países ela está ficando mais violenta.

O First National City Bank de Nova York mantém dados anuais. Sua tabela publicada em agosto de 1968 mostra a depreciação de moeda em 45 países em 1967 e nos 10 anos anteriores, medida pelos índices de custo de vida.

A tabela mostra que em cada um dos 45 países, o poder de compra da unidade monetária declinou no período de 1957-67 e que a taxa de declínio do valor da moeda em 1967 excedeu a média de 10 anos em 27 daqueles países. A taxa média de depreciação nos 45 países em 1967 foi de 3,8 por cento, comparada com uma taxa média de inflação de 3,3 por cento por ano em toda a década.

O poder de compra do dólar americano sofreu uma queda de 2,7 por cento em 1967, comparada com uma média de 1,7 por ano durante a década passada. (O poder de compra do dólar encolheu 4 por cento durante 1968.)

No fim de 1967, o dólar americano comprava apenas 84 por cento do que comprava 10 anos antes. Na mesma base de comparação de 10 anos, a moeda canadense comprava apenas 82 por cento do que comprava, a da Bélgica 80, a da Alemanha Ocidental 79, a da Suíça 78, a do Reino Unido 75, a da Holanda 73, a da Itália 71, a da Suécia 69, a do Japão 66, a da França 62, a da Índia 54, a da Espanha 50, a do Vietnã 31, a do Chile 11, a da Argentina 6 e a do Brasil apenas 2 por cento do que comprava antes.

Os três países com piores resultados são latino-americanos; mas os três países com melhores resultados, notavaelmente, também são. Esses foram a Guatemala, cuja moeda em 1967 ainda comprava 99 por cento do que comprava 10 anos antes; El Salvador, cuja moeda comprava 94 por cento; e Venezuela, cuja moeda comprava 88 do que comprava.

Esse contraste mostra que o alcance da inflação não tem nada a ver com a riqueza ou com os recursos de um país. Certamente não é resultado de uma "escassez de bens". É verdade que a Argentina e o Brasil não são países incrivelmente ricos, mas as nações que sofreram menos com a inflação, Guatemala e El Salvador, estão entre as mais pobres do mundo.

A verdade é que a inflação é sempre resultado da política governamental. É conseqüência da impressão de dinheiro demais.

Se a tabela do Citibank comparasse não apenas o alcance da queda do poder de compra de cada um dos 45 países, mas também os aumentos respectivos da quantidade de dinheiro sendo emitida por cada país, esse fato ficaria claro. Procurando essas comparações por mim mesmo na publicação mensal do Fundo Monetário Internacional, a International Monetary Statistics, eu vejo que na Guatemala, por exemplo, a oferta de moeda cresceu de 120 milhões de quetzales em 1957 para 157 milhões em 1967, um aumento de apenas 31 por cento. No Brasil, em contraste, a oferta de moeda cresceu de 291 milhões de cruzeiros novos em 1957 para 19.593 milhões em 1967, um aumento de 6.633 por cento. Essa é uma explicação suficiente do fato de que a moeda guatemalteca perdeu apenas 1 por cento de seu poder de compra no período de 10 anos, ao passo que a moeda brasileira perdeu 98 por cento de seu poder de compra anterior. Comparações similares podem ser feitas para os outros países.

Os governos que mais fizeram para expandir a emissão de moeda fizeram isso, ou "tiveram" que fazer isso, porque eles mergulharam em programas de bem-estar e socialistas que ocasionaram enormes déficits crônicos no orçamento.

No ímpeto para trazer a prosperidade perpétua e para "acabar com a pobreza" em seus países, os governos erodiram o valor das poupanças de seus próprios povos e fizeram com que milhões de cidadãos trabalhadores e frugais enfrentassem o espectro da pobreza.
Henry Hazlitt (1894-1993) foi um economista e jornalista liberal. Foi o vice-presidente fundador da Foundation for Economic Education e editou a revista The Freeman, além de ter escrito mais de 25 livros.
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