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Tradução do capítulo 17 da primeira série de Sophismes économiques (1845), "Un chemin de fer négatif".

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Eu tenho dito que, enquanto só se levar em consideração, como infelizmente acontece, os interesses do produtor, é impossível evitar ir de encontro ao interesse geral, uma vez que o produtor, como tal, não pede nada além da multiplicação dos obstáculos, das necessidades e dos esforços.

Encontro uma notável ilustração disso num jornal de Bordeaux.

O sr. Simiot1 levanta a seguinte questão:

Deve haver uma parada nos trilhos em Bordeaux na ferrovia de Paris à Espanha?

Ele responde à questão afirmativamente e oferece um grande número de motivos, dos quais eu me proponho a analisar somente este:

Deve haver uma parada na ferrovia de Paris a Bayonne em Bordeaux; pois, se os bens e passageiros forem forçados a parar naquela cidade, isso será lucrativo para os barqueiros, carregadores, hoteleiros, etc.

Aqui de novo nós vemos claramente como aos interesses daqueles que executam os serviços é dada prioridade sobre os interesses dos consumidores.

Mas se Bordeaux tem o direito de lucrar com uma parada dos trilhos, e se esse lucro é consistente com o interesse público, então Angoulême, Poitiers, Tours, Orléans e, de fato, todos os pontos intermediários, incluindo Ruffec, Châtellrault, etc., etc., devem também demandar paradas nos trilhos, sob o pretexto do interesse geral - no interesse, isto é, da indústria doméstica - porque quanto mais paradas houver na linha, maior será a quantia paga para estocagem, carregamento e carretagem em cada ponto do caminho. Por esses meios, acabaremos por ter uma ferrovia composta totalmente de uma série de paradas nos trilhos, i.e., uma ferrovia negativa.

O que quer que os protecionistas digam, não é menos certo que o princípio básico da restrição é o mesmo que o princípio básico das paradas nos trilhos: o sacrifício do consumidor em benefício do produtor, dos fins aos meios.

1 Alexander Étienne Simiot, autor de Gare du chemin de fer de Paris à Bordeaux (Bordeaux: Durand, 1846) e subseqüente representante da Gironda na Assembléia Constituinte. [N.T.]
Frédéric Bastiat (1801-1850) foi um economista, panfletista, liberal clássico e membro da Assembléia Nacional Francesa. Seus trabalhos mais conhecidos estão disponíveis em Bastiat.org.
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